
FlashBack - Sim, eu estou de volta
O Coração e o Ingrato
- Até que ponto irei eu insistir para ter o seu amor? Como posso resistir? Eu fiz de tudo para ganhar você para mim... Mas mesmo assim...
- Apesar de minhas rosas, por outros braços foi embora, todos os meus versos, tudo o que eu soletro, todo o meu coro, nada, nada, nada fez você acreditar que era eu...
- Amei-a com toda intensidade, entreguei-a o meu coração, é a mais pura verdade. Eu tive tudo sem saber, mas porque insistir, se quanto mais eu persisto, mais eu me firo.
- Acalma! Se os erros foram no intuito de encontrar a verdade, qual é a maldade? Depois de ter vivido tudo aquilo, poderia ter ido aos confins, mas não, eu só fui até ali! Relaxa! Sou um coração dispendioso, mas sou amável.
- Se me atiro sobre lábio qualquer não quer dizer que não há sentimento na verdade, é apenas passageiro, é sombra, sem parcela de responsabilidade. Deixa ser como será.
- Mas o que será, oh seu malévolo revoltoso, que se atirar ao revés sem ao menos consultar-me, se apaixona e derrama sobre mim bálsamo envenenado, entorpecendo-me em delírios e com beijos de saudade! Oh sossega-te e não me atormentes mais!
- Veja bem meu caro, sem novos amores, qual é o sabor de continuar nesse cintilar ingrato? Se não vê o que sinto, quando me atiro, não dispenso a vertigem de um novo amor... Ah! Seus abraços, seus sorrisos, seus beijos e seus traços, não se limite a pequenos sapatos, se realmente o que calças é quarenta e quatro. A pior tirania Humana é calçar sapatos apertados. Liberte-se desse mal, deixe-se viver, se atire, sinta, larga a mão desse esconder!
- Coração, boêmio inexaurível, deixe de ser fecundo em atrocidades, suas cicatrizes já me custam muitas verdades, explique a paz que não há, explique essa dor que não quer cessar! Canta-me porque da saudade que não acaba mais.
- Meu prezado, é tão simples, tão fácil, só você não vê, que aquela bela dama da qual você menospreza o meu parecer, conquistou você, com leves beijos, jeito extrovertido, levou-me aos maiores delírios, e nesse compasso, você seguiu comigo, e hoje, não há mais a solução, ou se entrega, ou se entrega meu caro turrão!
- Não acredito em tais palavras, não será você a me ensinar àquilo que deveria ser. É um desiludido, perdido em tardes de domingo, mal sabe o que faz, é um vagal por completo, tenta iludir-me nesse momento incerto em que não sei o que fazer. Pensa que sou o que?Acha mesmo que estou eu apaixonado? Acha que eu sou o que meu caro? Não me entreguei com tal facilidade, não serei eu o primeiro a cair sobre essa suas falsas-verdades, deixa-me em paz e leva contigo o que não me satisfaz.
- Veja, o sentimento existe, mesmo que você não acredite, resista o quanto puder, pois o tempo o dirá a verdade, qual é. Se você não quer se atirar nesse amor, a derrota será sua, a dor será minha, as lágrimas, e as conseqüências por você serão todas sentidas, e vê se me escuta da próxima vez, pois ela já foi e você ficou sem ao menos ganhar um Adeus dela. Comporte-se, e quem sabe um dia eu o encontro um outro amor por tabela.
x Por Rhedy | 10/19/2005 03:59:34 PM |
Velório.
Eu só tentava mudar as coisas, mas mesmo que eu tentasse, alguém seria melhor que eu. Eu passava os dias tentando ser alguém novo... Mas era alguém que odiava.
Era um jogo que não podia jogar, eu só tentava estar lá, mas eu acabava apenas com meu coração partido, jogado, iludido. Sigo as moedas caídas ao chão, como se elas pudessem me levar a algum lugar...
Eu queria morrer, e nascer novamente, para tentar fazer tudo certo, queria uma segunda chance, mas sempre alguém será melhor que eu. A dor é real, as lágrimas evaporam, mas existem, as pegadas cheiram a lapides.
Ela era tudo para mim, apesar das feridas que fazia, a dor era suportável. Próxima ao meu rosto, olhava-me como um monstro. Eu preciso fazer algo para tê-la para mim, mas eu não sei o que fazer, e o desprezo dela me faz adoecer.
É tão difícil começar aqui, não há mapa, não a guia, não há rua, não há estrada, apenas há uma casa, por completa arrebentada, onde em sua porta está estampada minha face, com marcas de praga.
Ela me rondava, olhava, nenhuma palavra, apenas o sabor amargo de dor... Eu queria fazer algo por mim mesmo, mas não há o que ser feito... Sou uma aberração perdida.
Arrasto-me pela escada, suja, cinza, áspera, irrita minhas mãos, todos me olham com espanto, eu tento me esconder de seus olhos, mas aonde quer que eu vá... Lá estão.
Eu só queria ser bom, eu só queria que as pessoas gostassem de mim, mas não, não consigo ser agradável, não consigo ser sociável, não consigo gostar de mim, não consigo gostar de você, eu ultrapasso o limite e de repente faço o estrago, foi sem querer!
Sinto-me como um estrangeiro... Moro numa casa, paredes azuis, escadas de madeira, uma porta maciça, o ar pesado parece ter quilos... Eu só pergunto, onde está a minha casa, onde está o meu aconchego, onde está o meu leito?
Toquei seus pés... Estava fria, seus lábios roxos, seus olhos fechados... Eu tinha todo um mundo para salvar... Mas não consegui salvar nem a você, quem dirá o contingente de pessoas que há por essas terras a fora, imagine a mágica que se perdeu na ilusão desfeita por seus pais agora, imagine a imagem dos dias que se passaram e não voltaram, imagine um ser horrendo, mas não olhe para o espelho pois as cicatrizes o marcaram.
Pensava em você, esperava que estivesse aqui, mas me perdi, não sabia por onde ir, não sabia por onde procurar, não sabia onde encontrar aquilo que resolveria todos os problemas, aquilo que removeria o meu edema.
Eu corri mais rápido que todos, mas você nem ao menos me olhou, não se importou, virou-se de costas e se foi... Mas diga-me, quando foi que precisei de você?
Pisou-me, escarrou em minha face, feriu com palavras, rasgou em mil pedaços o meu amor, afinal, que diabos é você? Porque tinha que ir embora daqui? Porque tinha que me deixar assim? Levante-se e diga-me que não o fará nunca mais...
Triste ilusão de meus pensamentos, você se distanciava e eu gravava aquele momento, até que a carrega descontrolada perdeu o freio, você fechou sua porta, e eu sei que não me machucaria nunca mais.
Mas no ímpeto da dor de vê-la partir, corri, gritei, clamei, mas nem ao meu último pedido você ouviu, fechou os olhos e partiu. Eu disse que deveria tentar continuar, mas a escuridão que tomou seus olhos foi mais forte que meu amor... E eu só tinha algo para dizer... Mas você foi dos braços... E hoje não sou mais o que eu era antes...
Olhava para todos os lados... Todos me olhavam, disparate, deve estar perdido, pois até o presente momento não havia marcado espaço e tempo, leitor, escusa me por dizer sem explicar, acalma que logo iras compreender, essas palavras são lágrimas, minhas lágrimas por alguém, ao derramar lágrimas, não se pensa no porque, se sente, e logo se vê, todos se admiraram da minha dor, por ter perdido alguém, alguém que nunca tive, mas minha verdadeira dor é porque sempre estive longe, mas longe é um lugar que não existe, por isso, eu era nada, e para ela, apenas disse as últimas palavras, e hoje sobraram-me lágrimas...
Nunca pertenci a este lugar, mas do que poderia mudar o fato de ter um lar? Mesmo que pertencesse, ela não iria me olhar... Se o fizesse, seria com desprezo, o qu´eu era? Era traste, era lixo, era capacho, era o pano de chão, era aquilo que não importava... Até o dia que importei.
Sei que parece irreal, mas ela me amou, por sessenta segundos, mas me amou, mas se perdeu, ao ver meus lábios aos outros lábios, então me odiou... Sim, ela odiou, mas nesse ódio, havia profundo amor, e nisso, ela em mim encontrei, mas ela não compreendeu, que quando fui-me ter junto a ela, não compreendeu, e virou-se e foi, até dizer-me adeus, não o viram, mas sem seus lábios vi as última juras de amor entrelaças com um adeus.
Hoje, senhores leitores, escrevo nesta lapide apenas meia palavra, pois o que havia que ser dito, foi esquecido quando ela adormeceu. Hoje, o que faço é morrer junto a ela, e recomeçar do inicio, se é que pode ser, pois sei que não serei melhor que eu.
x Por Rhedy | 8/24/2005 06:32:24 PM |
Modo FlashBack
Um quarto sujo, escuro e fedorento.
Estava entediado. As cores negras da parede me irritavam. O cheiro do hotel pernoite de segunda categoria era sufocante. Tudo isso se juntava com a minha falta de vontade de continuar em mim mesmo.
Meus olhos vermelhos, cansados, perdidos, nem querem mais enxergar algo.
A cama tem os lençóis desarrumados, sujos, e maltrapilhos. Estética assustadora. O Cheiro de fumo é o perfume ambiente da região. É tudo tão podre, tão deplorável.
A barba por fazer há alguns dias dá-me um ar depressivo, a medalha ao meu peito, significa muito mais do que um mero pedaço de metal.
As lágrimas correm.
- Já faz dois anos.
Dentro da pequena medalha, uma foto. Já encardida, mas jamais esquecida. Com a unha rasgo-me, ao menos em minha mente, engano-me, finjo que tenho dor.
- Ah! A última vez que olhei em seus olhos...
Desesperava-me em minhas lembranças. Lançou ao punho uma faca, bestialmente assustadora, em forma de último suspiro, gritei.
Em um instante desferi um golpe. Alguém abre a porta e olha. A faca está atravessando a cama, não me atingi.
Fecha-se a porta, e volto ao meu delírio. A porta? Mera distração insignificante, imperceptível, tênue. Nada que abstenha minha incompreensão de tempo e espaço.
Levanto-me de prontidão, abro a janela, algumas lágrimas caem e se perdem no vão que existem entre um pensamento e outro.
A visão é tão triste, tão feia, um imenso cinza, as cinzas da casa ao lado ainda insistem em tortura-me, continuam ao pé dos meus olhos, trazendo-me lembranças do dia cujo eu quero esquecer.
O ar é tóxico e corrupto, faz sangrar o ser, que já não agüenta mais esse veneno. Não sei o que mais sofre, o corpo ou mente, cada um com seus demônios. A guerra interna é tão indescritível que já se perde no abismo que há entre pensar e sentir.
Ouvir: "Não foi sua culpa..." "O que você poderia ter feito?" "A vida é assim, você tem que ser forte, ela não gostaria de o ver dessa forma...", nunca ajudou, eu sempre entendi o que essas palavras significavam, mas jamais senti em mim o que elas respondiam. Nada disso faz sentido. Nada vai voltar. As cinzas estão lá. Mas tudo se foi. Ela se foi. Acabou.
Em meus ouvidos nem mesmo o silêncio me acalmava, o temor de mim mesmo era a pior coisa que eu já havia presenciado.
Tudo isso se prendia a laços delicados da doce ilusão que é relembrar os velhos tempos. Mas aquilo tudo só me enfurecia, mais e mais, eu não podia aceitar, não podia me entregar, mais é difícil resistir, não há tanto sentido em nada disso, e não sei se um dia isso realmente teve algum, só sei que tudo isso perdeu todo o motivo quando perdi você.
Não sei o que posso fazer por mim, nem sei se quero fazer algo por mim, pois sei que não há sentido em querer estar aqui por mim. É só um quarto sujo, velho fedorento, com um pobre-diabo que está viúvo há dois anos e não consegue aceitar a morte da esposa.
A corda no meu pescoço não faz sentido, seria gentil de mais, não sou tão piedoso comigo. Não gosto dessa face que vejo ao espelho, para vingar-me, nela escarro, torcendo para que ela não volte, para que eu não tenha que olhar nos meus olhos e me odiar por ter me tornado algo tão insignificante.
Talvez seja melhor que você esteja morta. Imagine se você me visse desse jeito? O que pensaria? Você era tudo para mim, e por um erro meu, hoje não está mais aqui, a como sinto a falta do seu perfume, como choro ao lembrar dos seus passos, cada virgula do seu sorriso, cada milímetro do seu corpo, tudo hoje, junto às cinzas. Ah! Quem me dera hoje estar junto às cinzas!
Já faz uns dois dias que não me alimento. Não vejo motivo. A comida na minha boca perde o sabor, não vejo sentido em manter uma existência efêmera e sem sentido como a minha.
Minha pele está pálida, há alguns arranhões distribuídos pelo meu corpo, arranhões que eu mesmo fiz, por tanto me odiar. Caminho até a porta e a chuto, como forma de dispersar o meu ódio sem sentido, só por saber que você jamais irá a abrir.
Caio de joelhos ao chão, e choro mais uma vez a sua despedida. Sinto aos meus lábios o sabor do seu último beijo, lembro-me exatamente, com toda a ternura que existe, ou existiu em mim, a dúvida da existência se deve ao fato de que já não sei mais se algo existe nesse vazio imenso que compreende minha alma.
Penso que talvez não exista, pois descobri que depois que você se foi, tudo aquilo que havia de bom em mim partira, e restou apenas um ser frio, insensível e desesperado, que respira, ofega, espera que o ar acabe, para que sua face novamente veja.
Para mim, não há importância se há chuva ou sol lá fora, se a noite brilha um céu estrelado com uma imensa lua majestosa. Você não está aqui para dar significado a nada disso, sem você nada mais faz sentido, e hoje sem você não quero mais ter juízo.
Talvez este seja o meu relato, talvez em uma frase, venha o fim, talvez. Talvez em seus olhos se vejam lágrimas, talvez um simples desprezo, mas nada disso importa, pois nada disso irá mudar o vazio que restou dentro de mim depois que você foi embora.
x Por Rhedy | 8/21/2005 07:37:48 PM |
Minha Busca
Dos breves instantes que se passavam, o leve gosto amargo de ver o tempo passar e se sentir inerte, preso a uma realidade cujo não pertenço, era a tortura mais cruel que eu poderia imaginar para aquele instante. Era como se o mundo girasse e eu seguisse aqui parado no mesmo lugar, a observar tudo o que ocorria, sem nada poder fazer.
Ás vezes acho que o acaso brinca comigo, ás vezes acho que me atiraram ao chão frio, sozinho. Ás vezes acho, nas outras tenho certeza.
Ao olhar por todos os lados, procurando o que eu nem sei se existe, vejo vultos, em meio ao tumulto, silêncio, na inexistência do caminho, penso, penso e não compreendo a ausência de tom, não compreendo a falta de tudo aquilo que por lá sobrou, não compreendo as lágrimas, ou finjo não compreender.
Não demora sonho, não demora, a falta do que me afaga é a causa de toda lágrima, é saudade infundada daquilo que sempre sonhei, mas que jamais admiti, com medo de acreditar que poderia ser, e acabar por não ser, e a desilusão se aproveitando do fato, me acometer.
O disparate do vazio já é banal, na memória as pegadas deixas por onde andei, lembranças da época em que estava à deriva do destino, época em que não havia responsabilidade sobre o mundo ao redor, momentos que passaram sem eu perceber, momentos que me deixaram sem saber o que fazer.
Se eu pudesse olhar ao horizonte e ver ao fundo o melhor lugar do mundo, já teria valido ter de pés descalços tanto andado, já haveria justificado os ferimentos à sola do pé, já seria o motivo de toda fé, impulsionaria o meu acreditar, mas não há, sei que vou chegar, mas não sei onde, irei até aonde meus pés me levarem, então sentarei e admirarei a bela vista do mar.
Nessa diáspora de eu sozinho, fujo de tudo aquilo que me cercava, fujo de tudo aquilo que me amedronta, fujo sem olhar para trás, fujo soluçando no desespero de infância, fujo engolindo seco o temor da lembrança daquilo que não senti, mas assisti, e de enxergar, temi, na pele d´outro vi o ardor, anexei em minha carne o pavor. Uma, duas, três, quatro, cem vezes. Na Centésima primeira já não provocava o mesmo horror, a agonia se tornou tão normal que ao passar em frente ao desfalecimento nem notava o urrar.
A Insensibilidade tomou posse de mim, até que cai e vi um mundo desigual, tomado por inconseqüência, um carro desgovernado seguindo para qualquer lugar, não escolhia vitimas para deixar sangrar... Ufanista que lidera esse compasso, cego, surdo é aos esmagados... Dilacerou meu coração, retirou-a dos meus braços, levou minha alegria, levou meu quinhão.
O azul gélido do céu congelado, o bege do chão empoeirado, as cartas espalhadas por todo o chão, lembranças espalhadas, lembranças daquilo que já se foi sem aparente razão, e deixou a saudade em substituição.
Detesto suas teorias, detesto sua alegria, detesto seu jeito de dizer que estou errado e que deveria ouvi-la, detesto a forma que sorri, detesto a forma doce que se move, detesto a forma que me olha, detesto a forma como mexe em seus cabelos e disfarça, detesto quando você finge que eu não existo, detesto tudo em você, tanto detesto que não posso viver sem você, pois durante sua ausência tudo fica vazio, o chão fica apenas com as marcas dos meus passos, e acaba por fazer frio, o tempo passa devagar, o silêncio tortura e mata, fico a procurar alguma palavra sua esquecida em algum canto da casa... Mas nunca acho nada... O mundo parece mover-se devagar com a sua ausência, fico só, fico estagnado, imóvel, apenas a esperar você chegar, mas afinal, onde você está?
Enganar-me com o desejo de degustar os sabores que nunca provei como se já os tivesse antes pode ser o meu maior mal, desejar o que jamais poderei ter é a chaga fatal que me consome, irei até o final dessa ponte, e de lá decidirei qual caminho seguir, procurarei alguma marca de seus passos de quando esteve aqui.
As ondas batem à costa e retornam ao mar, o vento sopra e leva o perfume das rosas, deste lugar, eu fecho os meus olhos e finjo que você está, até sinto seu toque, até ouço os sussurros com frases de amor, mas isso é apenas para me enganar, abro os olhos e você não está, sigo então a procurar, mas não a encontro em nenhum lugar, se não em todos.
Mesmo que eu não saiba para onde guiar meus pés, mesmo que a áurea lembrança que me impulsiona seja vencida, seguirei atrás daquilo que falta em minha vida, pois em cada canto vejo um pedaço seu, em cada flor encontro sua beleza, em cada criança a sua pureza, em cada pássaro beija-flor encontro à delicadeza de seu amor, perdi-a e desde então fiquei sozinho com um mundo ferido, porém por seu sacrifício ainda bonito, mas sei que ainda poderei juntar todas as partes em algum lugar, e enfim encontrarei aquilo que deu motivo ao meu caminhar.
x Por Rhedy | 8/10/2005 03:10:44 PM |
Despeito
Olhava seus olhos verdes, abaixo d´uma árvore, eu não quero ir embora d´aqui sem você. Seus belos olhos enfeitiçam-me, deixam-me sem chão, busco todas as veredas que podem levar ao seu coração.
Não levarei isso como um teste, pois não passará, não haverá outra oportunidade de dizer o quanto a amo, quanto a desejo, e as folhas dançam. Tocar sua face, eu preciso de você aqui, beijas a sua face, tocar sua pele, eu sinto a sua falta mesmo quando você está perto de mim.
Eu disse que seria muito egoísmo mantê-la aqui, mas eu farei das pedras os mais belos diamantes, enfeitarei o céu com os mais belos querubins cantantes, só para que você fique, pois nesse momento, pouco me importa o mundo, eu só preciso de você, e nada mais tem valor.
Você não pode ir, ao menos neste instante. Eu preciso de você aqui, agora. Dos seus braços, do seu toque, não vá, não leve a parte de mim que há em você para longe daqui, fique onde está, não leve embora o meu sonhar.
¿Não pertenço a este lugar, tenho que voltar, você bem sabe disso, tenho que seguir meu caminhar...¿.
Não me sufoque neste grito, o ar foge das minhas ventas ou ouvir tais versos, impropério do destino que me reprimi, e encarcera, me fere e me ofende, levando-lhe de mim, deixando-me em fim, só.
O chão ainda contém o calor dos seus pés, seu perfume está impregnado na minha blusa, o sabor de seus lábios ainda está presente nos meus, e num segundo entrei no inferno, arremessado diretamente do céu.
O que deveria lhe dizer, não lhe disse, não palavras são palavras, preferi me iludir, pois aprendi que de ilusões vive nossa alma, ela consome imaginação, mesmo que errônea, para acreditar nas partes de quaisquer lugares.
Eu queria ter outra chance, poder a ter junto a mim, para estar no seu caminho, estar nos seus sonhos, naquilo que você deseja, naquilo que você levará.
Eu queria ser mais forte, ser capaz de conquista-la, de salvar a sua vida, mas mesmo que o fosse, quem salvaria a minha?
Enquanto eu tento me encontrar nessa estrada, você diz que podemos o fazer depois, que há coisas bem mais importantes para tentarmos por nós mesmos.
Alguma coisa virá amanhã e mudará nossas vidas, até lá, viva, siga sem pudor, sem se prender, sem se sufocar, sem limitar o próprio quinhão.
Volte, e me mostre como escrever seu nome, eu voltarei a dormir minhas noites ao relento, pois a desilusão da sua partida é para mim tristeza, é meu descontento.
Não importa o que eu faça, você não voltará para mim, já está sob outros braços, não se preocupou se iria me destruir, talvez peça, mas não sou forte o bastante, então entrarei de supetão e verei.
Então perceberei que era tudo invenção, que essa maldita quimera, era em mim, ilusão, ciúmes maldito, era em mim, o verme, minha negra escuridão.
Eu sei que não sou perfeito, Eu sei que não tenho o controle sobre mim mesmo, que meu corpo é nefasto, que não tenho controle sobre minha mente, nem sobre minha alma...
E você... E você é tão linda, tão bela... Tão delicada... Foge entre meus braços, eu queria ser especial... E você é tão especial...
Acho que agora você estará longe de mim... Tão longe quanto os outros que se distanciaram, tão longe quanto a Lua que me tenta e me ilude em noites frias, tão longe quanto a minha alegria, irá me deixar, por atos falhos meus, por enganos trágicos, por defeitos incógnitos que hoje se revelaram, e me fizeram lhe perder.
x Por Rhedy | 4/19/2005 04:07:05 PM |
Lembranças... Sempre lembranças.
Deixa ser como será, nesta noite há um belo luar, deixa-o nos guiar, que o mundo não importa, deixe tudo que não está aqui, lá fora, deixe, pois, para mim isto é tudo um filme novo, um samba em coro verde-louro.
Confesso que por outros dias a via como uma qualquer, cabelo preso, aquela saia que combinava com a blusa, óculos de leitura, sempre concentrada, passava por você como se não fosse nada.
Como saberia eu que, aquela figura cotidiana, tão normal, tão imperceptível aos meus olhos pecaminosos seria tão meiga e graciosa? Vê-la ao compasso de um samba qualquer, tímida, sozinha, bela, como uma noite, uma noite viva, com brilho próprio, brilho de estrela, estrela que encanta, que vive, e faz de mim canção, faz de mim criança em brincadeira.
Desiste daquela contemplação esdrúxula, movi-me ao encontro de você. Apenas movi-me, mais que isso seria um sacrilégio a minha honra. Sempre na desculpa de que um bom caçador ataca a presa apenas após espreita-la e estuda-la de forma fria e calculista.
Mas é apenas gracejo e ilusão própria, pois afinal, sempre soube da existência de um friozinho na barriga, na tortura psicológica de dizer um oi, sem saber o que virá após.
As horas passam... Talvez eu esteja esperando que você se embriague, porque talvez assim fique mais fácil. Não posso mais esperar, vou andar, irei até você, respirarei fundo e irei dizer:
- E ai, tudo certinho?
Você me olha por inteiro e sorri, diz que sim, e começamos a conversar, seguimos a falar... Sem parar, quando percebemos o mundo já passou, e tudo está a acabar, todos se foram, e estamos nós sentados numa varanda, a conversa fora jogar... Ouvindo nossos dizeres sobre os anos que passamos, sobre aqueles que até que vieram, e sobre aqueles que embora foram...
Foram anos de glórias... Anos em nossas memórias... Histórias velhas, esquecidas... Histórias de um, dois, mil dias. Datam-se velhos fatos, que como sombra que cessa, somem, e por todos serão esquecidos.
Mas são os fatos por nós vividos, fatos eternos, mesmo que esquecidos, ficaram gravados para sempre em nossas lembranças, mesmo que nosso lastro se apague, em essência, perdurará junto à esperança.
x Por Rhedy | 4/14/2005 03:58:20 PM |
Eu sinto que perdi.
Seus olhos olhavam no fundo dos meus. Era tão bom ficar ali, acariciando a sua nuca, permitindo que o tempo passasse, e leve consigo todo aquele momento, momento que se estendia por todo tempo.
Ás vezes eu não sei por onde ir... Acho que quanto mais eu tento me encontrar, mais eu me perco, quanto mais eu ando, a cada passo, a cada metro que avanço parece que estou ficando mais distante... Distante de você... Distante de mim.
- Se algum dia lhe disserem que eu vivi sem você, não acredite.
- Porque está falando isso?
- Sabemos que isso não vai continuar.
- Não vai dizer que...
- E vou dizer o que então?
- Já me perdeu...
Olhos se perdem, afastam-se, a cabeça se inclina a outra direção, fulgindo de sua fronte, falta-nos coragem de encarar a verdade.
Ás vezes eu penso em jogar tudo pro alto. Como posso insistir se nenhum de nós acredita na prosperidade disto? Se sabemos que está condenado a ser falho, porque insistir na empreitada?
O que há de tão saboroso nessa dança que nos leva a seguir rodopiando, mesmo que em brasas sejam colocadas sob nossas solas? Se é tão difícil, porque há insistência?
Talvez seja esse sabor que há de quando estou com você, sinto aos lábios o gosto da volta dos meus sonhos, acende sobre mim nova chama, em lábaro leve puro seja tona nova esperança, que perdura por um instante até se corromper na realidade que separa a nós.
Que queria poder estar aqui com você, não apenas de coração, não por mera representação, apenas para sentir a sua pele, tocar o seu rosto, e não deixa-la ir nunca mais.
Mundos opostos... há realmente um mundo oposto? Donde veio está barreira afinal? Se foram meus medos, nossos atos, ou crenças de fundo de quintal? O que nos separa, o medo ou um sentimento anormal?
Do jeito que você queria, eu sei, indo e vindo, sem estar, amando com o corpo, não com a alma, ou ama com a alma e não com o corpo, não é capaz de unir dois, por si só, em um único ser, precisa de algo maior, de alguém, é fraco, é pálido, ainda ardil, faz-se de um semi-deus de plástico.
Segue sem pés, segue em vão, rumam em desencontros nossos corações, e lá se vai vadia e só nossa esperança, tropeçando, varrendo o chão, lavando a louça, se era pra ser, não sei, se era para lhe querer, talvez. Talvez tenha sido meu crime, talvez seja o meu mal, achar que posso sentir, e nisso, no vício insiste.
Mesmo que eu não entenda, mesma que eu tenha que vagar na mais eterna espera, aquieta! Segue seu rumo, mesmo que a perda não seja singela, mesmo que destruam sua face de boneca, vá, e só retorne quando estiver certa.
x Por Rhedy | 4/13/2005 02:07:36 PM |
Deixando que você vá (Let you go)
Uma lágrima escorre aqui em sua face, sozinha, tímida, escondida. Não era o que você queria, eu sei, mas talvez fosse a única saída. Não pense que lhe condeno por algo, não poderia faze-lo, foi tudo por impulso, eu sei, você jamais o faria se tiver real consciência do que aconteceria.
Sei que não é fácil para você, mas também não ache que é fácil para mim. Não pense que por eu ter virado de costas e me retirado que este ato era a consumação dos meus sentimentos, pois não eram. Mas compreenda, não poderia fazer nada, além disso.
Estamos perdidos, sempre estivemos, nunca soubemos realmente quem éramos. Era engraçado lembrar das tardes em que sonhávamos em ser algo que não seriamos, era tão bom ficar se iludindo... Respirar a ilusão de um dia que seria feliz.
É uma pena que tudo tenha sido apenas um sonho. E hoje, quando dormimos, vivemos pesadelos. Eu sei que nos perdemos um do outro, eu perdi você enquanto dormia, e você me perdeu enquanto iria, sem saber que triste me despedia.
Eu queria ver a sua face em qualquer lugar da sala. Esta casa é tão vazia, ás vezes esse silêncio me faz chorar. Eu sempre precisei de você, e ainda sinto sua falta, mas não pense que pode me comprar, eu apenas desejo vê-la esta noite, nada a mais.
Eu sei que já pensei em você milhares de vezes, mas não pense que eu não consegui superar isso. Há milhões de coisas novas em nossas cabeças, mas ás vezes ainda sentimos a falta do tempo que éramos um do outro. Mas não pense que irei levar isso a sério, não quero nada além de um momento instantâneo.
Em nossos pequenos jogos sempre um de nós saiu machucado, mas o tempo passava, e lá estávamos nós, há milhares de milhas de onde estávamos, e então voamos entre as nuvens, no espaço, o céu era apenas mais um lugar para esconder você, e a ter por todo além-mundo, eternidade de um instante.
Lembro-me quando pela manhã despertava, o abrir de seus olhos era como um presente, e hoje lembro-me de você por um sorriso numa fotografia... Que ironia.
Ás vezes os sentimentos são tão confusos, é tão difícil discernir o que realmente queremos, o que realmente precisamos. Somos tão autoconfiantes que nos perdemos na essência de um momento, apensar de nunca termos nos dado conta de que no final, o que realmente queríamos era o oposto daquilo que fizemos, não era um momento, mas toda uma eternidade.
"Não se esqueça que eu amei você". Lembro-me da sua frase, de como a falou, olhando em meus olhos, usando uma blusa minha, branca, abotoada, amassada, com a gola solta, seus cabelos soltos, seu sorriso a bom grado, seus olhos... Ah, eu me acabo!
E o pior é que eu não esqueço. Sabíamos que poderíamos acabar nos odiando, era um risco que tínhamos que correr, mas eu não poderia ficar sim você. Acredito que você também não poderia ficar sem mim.
É... Mais um dia. Mais um dia sem você, e eu fico a esperar que o pássaro amarelo vá assoviar a minha porta e me dizer que você está chegando, que é para eu abrir a porta e me atirar aos seus pés, beija-los, e dizer o quanto eu fui burro.
Mas convenhamos, nenhum passarinho irá faze-lo, e eu tão pouco iria faze-lo também, sabemos o quanto eu sou orgulhoso.
Você sabe que nunca me perdeu, sempre soube como me encontrar, e eu também sempre soube onde você estava. O que nos faltou foi coragem para admitir. Poderíamos ter sido mais felizes do que somos, poderíamos ter sido melhores do que somos, poderíamos, mas não fomos.
A incógnita do "se" é algo maravilhoso, não vejo algo tão complexo no universo quanto esta palavra. Acho que ela já matou mais pessoas do que qualquer exercito, já enlouqueceu mais homens que paixões exacerbadas, mal contadas, mal vistas, mal contadas. Se alguém algum dia se matou, foi porque se questionou, e se este se questionou, o "se", maldito em questão, é o mesmo que nos condenou.
Tantas questões me perturbam hoje, mas no final todas são vazias, pois não representam a realidade, na verdade, estou eu aqui, e você não. Estamos sozinhos, um sem o outro, e insistimos, seguiremos sendo turrões, sem entender que, para viver, temos que desaprender, e seguir, juntos, e não assim, fingindo não se querer.
x Por Rhedy | 4/7/2005 08:42:18 PM |
Inquietações de um dia.
Horas se estendiam, todas elas me destruíam, a noite passava num passar de olhos, e num segundo, porquê?
Em melodia suave, se despede vagarosamente, tudo me lembrava o inicio, os anos pareciam segundos, os segundos eram tão eternos como anos, e os momentos eram indecifráveis. Ainda não posso ver.
A televisão ligada na sala é minha companhia aqui em casa, ela grita, chia, não esta passando nada, é apenas uma tevê ligada. Ela tenta me dizer, coisas que eu não sei o que, mas ela não diz nada, só fala qualquer coisa, coisa com nada, programação é irrelevante, passa o tempo, passam as horas, e eu vou contanto, nada muda, tudo é o mesmo, as mesmas cores seguem em faixas.
Desejo compulsivo de atirar uma pedra nesta tevê, destruí-la, desmantela-la, deixa-la ao pó, apenas para ficar só, quero a escuridão da sua ausência, a desinformação da sua ineficiência.
Eu queria sentir novamente a sensação de vê-la partir a entardecer, só para esquecer. Eu faleço a cada minuto que passa após a sua ida, e tudo me irrita, tudo é tão cruel ao redor que me provoca ódio.
Algo que poderia nos ligar, ligar a todos, algo em comum que acabaria com a individualidade de nós todos, e tornaria ser alguém algo tão inútil e sem sentido, pois seria tão banal estar montado sobre as mesmas mentiras que enganaram nossos pais, nas ilusões tão obtusas criadas há anos e mais anos, nas quais se forjou a maior das riquezas sobre sangue puro.
Como você nada disso estaria acontecendo, sem meu erro, sem minha discorda, eu só queria pedir para me deixar ser um, dá-me um tempo a mais, para que eu posso entender aquilo que vale uma vida, e que para você tanto faz.
Na ilusão de qualquer canto, perde-se o encanto, a inocência se vai a cada instante um pouco mais, até que não sobre mais nada, e fique a amargura, e se crie um sentimentalismo estético, uma carapaça para esconder o medo que você tem por não saber quem você realmente é.
Agarrar-se às pernas de outras pessoas. Tive que aprender a rastejar pelo chão, alçar novos vôos, esquivar de retas opostas, transcendentais, novas culturas, novos conceitos, novos musicais, tive que sobreviver aos livros de Paulo Coelho, tive que odiar você.
O Pior foi constituir meu caráter de identidade assistindo crápulas comandarem aquilo que entedia como união, criando todo um circulo de influência, de domínio, dando-lhe poder eterno, e ao resto, meio mundo de ilusões.
Somos o futuro, ilusão imperativa de todas nossas vidas, estagnada a gerações em mentes vazias, cremos sem saber o porque nunca chegamos lá, cremos por que não sabemos o que realmente há, por nos deixarmos levar por um coronélismo arcaico, e que por meus pesares, perdura.
Vivemos por viver, casamos porque temos medo da solidão, deixamos uma nação a anseio de um cardume de ladrões. Navegam sobre sete ares, nos deixam a crer num oásis que nunca iremos alcançar. Acordamos vendo o querem, e vivemos a vãos sonhos sonhar.
Eu queria arrebentar a minha cabeça, pois sinto sua falta, não pense que é fácil lhe ver partir, mesmo quando sei que isso é culpa da minha estagnação, por ter deixamos meus sonhos aflorarem, ter me iludido com o sabor daquilo que é vão, e não ter me concentrado a reter aquilo que era mais importante... Você.
x Por Rhedy | 4/5/2005 06:53:01 PM |
Como hei de estar
Estirado ao chão, lamento-me por ter perdido a última foto, resquício das lembranças boas que tinha de você... A vida passava numa noite inteira, e num instante, não estava mais lá...
Como pude ser tão fraco? Primeiro, ter me rendido à vontade alheia do mundo que me cerca, perdendo-te, aquilo que tinha de mais precioso na minha vida. Eu penso no que eu poderia fazer, mas sem você, tudo perde o sentido.
Como uma triste flor que perece velando o tumulo, ficarei eu estagnado sobre minhas lembranças dos momentos que juntos passamos, e que tanto significaram.
Condeno-me por não ter aproveitado mais cada momento junto a você, por ter deixado cada amanhecer ser qualquer, por acreditar que sempre estaria ali, e como o sol iria voltar, mas você se foi e hoje só há trevas, a foto que havia aqui, não esta mais, e hoje não há mais uma fuga para o aflito que teme perder aquilo que não tem há muito tempo.
Lembro-me de suas lágrimas caindo, estava sentada junto à escada, escondia dia de mim qual era sua mágoa, para falar a verdade, não sei até hoje. Talvez tive sido melhor se eu não tivesse interferido nas suas lágrimas. Ás vezes penso que fui a pior desgraça que poderia ter lhe acontecido.
Aquele lenço bobo, que enxugou suas lágrimas, decretaram seu descansar, eu réu culpado, não condenado, inocentado por todos, vivo a me condenar, antes tivesse sido argüido em fel e brasa, e provado em teu lugar do negro beijo do descansar.
A noite passa... Mas o silêncio não passa... Nunca mais escutei o som da sua voz, eu queria gritar, fugir, correr até você, mas não... Não posso lhe encontrar.
Onde você está? Há tanta escuridão... Dês de que você se foi está tudo tão incerto... Eu não sei o que fazer, o mundo é tão incerto, estão todos tão cabisbaixos, eu clamo, se você puder me ouvir, leva-me até você, não há razão em estar em meio a está penúria sem você.
Se eu tivesse sido mais presente... Se eu tivesse lhe amado mais do que amei... Se não tivesse sido tão irresponsável, tão imaturo, se não tivesse me deixado levar por algo tão fútil, se tivesse me negado a ser um imbecil, você estaria aqui, e eu não poderia ficar preso a noite eterna sem você.
Se você estiver ouvindo, me traz o sol, pois não há luz sem você, não me deixa cair sobre o abismo que é viver sem você, leva-me, não me deixa perecer aqui, sozinho, ao frio, só porque amei você.
Conquistei-lhe, dizia que a amava, encantava-lhe com mil cantigas de amores, poderia até chegar ao ponto que faze-la acreditar que jamais lhe faria algum mal, mas por fim, fui o demônio mais vil, cruel, incapaz.
Jamais viraria de costas, e lhe deixaria só, como outro o fez, fiz pior. Furtei-lhe o sopro. Não pulsa mais em seu corpo, a vida que d´outro dia havia.
Deixei-me levar por más línguas, embriaguei-me, tomei o controle e fui, você dormia bela, terna, suave, eu descompassado com a via, seguia em direção ao errôneo, atirava-nos ao léu, ao escárnio, ao fim trágico.
O carro capota, e hoje você está morta, e eu aqui, vivo, mas não sei o quanto, pois não sei se há como seguir, como hei de estar vivo se, hoje meu sonhar não está mais sobre este céu de estrelas, a cintilar?
x Por Rhedy | 3/28/2005 09:39:32 PM |
Apenas Você
Algo em seus olhos estava diferente. Aquele silêncio nunca havia estado entre nós. O tempo passava, e torturava com a ausência das palavras. Eu apenas queria sentir aquilo que lhe angustiava. Eu olhava em seus olhos e percebia que tudo estava escrito no meu coração, era apenas eu que não queria entender isso.
Eu lancei o meu coração no abismo por você, fiz mil sacrifícios, acreditei no nosso amor em todos os instantes, e no fim eu vejo o seu rosto distante, pensativo, me ignorando. Eu jogado a outro lado, desejando seus lábios.
Paro em sua frente olho em seus olhos, e o silêncio nos domina. Vestida com sua blusa cinza, calça preta, está encolhida sobre a cama, sentada, pensativa, braços cruzados sobre as pernas, juntando-as junto ao queixo.
Seus cabelos, lisos, finos negros caiam sobre seu rosto, mas seus belos olhos castanhos olhavam diretamente aos meus, e eu perdia o chão... Apenas você.
Você é o meu caminho, eu poderia ter sido bom, eu poderia ter sido grande, famoso, digno de glórias, mas seria tão vazio. Apenas você. Você é o meu caminho, passos que dou sem me importar com espinhos. Eu sei, eu poderia lhe dizer milhares de coisas, mas nenhuma delas seria nada, e nada disso seria importante para causar-lhe um sorriso.
Tão pensativa... E apenas você é a alegria, apenas você simplifica aquilo que é o motivo de uma vida, e eu lhe vejo esvair entre meus dedos como areia, e nada faço para impedir a sua partida. Apenas você significa.
Eu estarei lhe esperando, Em qualquer lugar, mesmo que o sol me queime, esperarei seu toque de anjo, nada mais importa quando estamos apenas eu e você. Eu farei o que você quiser. Eu farei qualquer coisa, Apenas por você.
Em seus olhos vejo um sonho perdido, milhares de temas, motivos infindos, e onde você está? Seu pensamento voa, se perde entre as paredes, segue em retas indefiníveis, linhas tortas, insolúveis, inodoras, incomodas, especificas e indecifráveis.
Talvez um dia por você eu encontre esse caminho, mas não sei, talvez eu me perca por ai, sem rumo, numa esquina chuvosa, e por estas ruas estreitas eu acabe me perdendo, perdendo de você, perdendo minha vida, ficando tão perdido quanto seus olhos distantes, quanto seu sonho que voa entre as nuvens que não vemos, entre esse céu ensolarado que beija o mundo lá fora.
Eu só queria ouvir uma palavra sua, esse silêncio é tão assassino, e nada que eu possa fazer poderia mudar essa situação. Tudo ao meu redor parece enlouquecer, a mobília perde a forma, as cores perdem o tom, a vida embaça, em fagulhas se perde a graça, e vê-se o fim de um todo um carnaval.
Veja o que você fez comigo! Estou completamente disperso, inconsciente, flutuo em seu universo, meus olhos movem-se por si sós, e levam num compasso errôneo o meu corpo paulatinamente ao chão.
Você estende o braço, toca o meu rosto e diz: Eu te amo. Uma lágrima cai de um dos meus olhos, eu me ajoelho em frente à cama e lhe abraço. Você me acaricia, beija-me ternamente, segura minha face com as duas mãos, olha em meus olhos, e diz novamente: Eu te amo. Beija-me a testa e saí.
E fico eu aqui, junto a cama a pensar, o que estaria a minha ninfa a sonhar?
x Por Rhedy | 3/23/2005 08:40:30 PM |
Lembrança.
Sonhavam leves brisas, perdidas numa inconstância do balançar cintilante das folhas das árvores do meu jardim. Era apenas mais uma tarde vazia.
Balbuciando vinha um pequenino, mal dava-se em pé, curioso por natureza, descobrir-te-ia um mundo de infindas cores.
Sozinho, ocupava-se no jardim. Minhocas eram seres interessantes, talvez num futuro fosse um biólogo, retirando o estranho gosto de colocar os objetos de estudo a boca, teria todo o porte. Imagino-o num laboratório, catalogando uma infinidade de animais exóticos... Mas talvez não seja a cara do menino, isso é muito tedioso, pede muita dedicação e concentração, duas características que até hoje não se manifestaram no pequeno.
Voltei-me ao livro. "Ruas tortas, veredas malacafentas, esgueirava-me entre mendigos e miseráveis, trajado a rigor, o perfume horrendo ao nariz de todos parecia flor".
Belos versos, mas estou cansado, o pequeno também. Deitado ao chão, olha pro céu e diz tudo aquilo que só ele entende. Juntos olhamos as nuvens, ele me aponta um após outra, e diz tudo aquilo que eu não sei sobre o mistério das enormes ilhas flutuantes, aquele branco que causa cegueira, e faz-me perder uma tarde inteira.
Esperava um milagre, um fim, uma luz que mostrasse em que lado fica a porta certa, em que via se encontra a estrada que passou você, onde serão desvendados os segredos, onde acabaram os medos e eu seguirei.
Mas não sei. Há responsabilidade, um pequenino levado, cousas da idade. Mas eu queria tanto voar! Deixe-me voar! Entre essas nuvens, entre seus sonhos, no meu lugar, no seu lugar, no lugar de ninguém.
Eu me perdi um pouco. Como eu poderei chegar a você? Eu só queria que esse vazio partisse, e você voltasse. Estamos sós os dois, eu e o pequeno, sozinhos, sem seus abraços, sem lhe ter aos braços, sem saber o que será, mas do que será onde estiver... O que vier.
Brisas sobram e beijam nossos lábios, lavam nosso rosto de feições bizarras, limpam nossas almas, e agora eu canto, eu pulo e vibro, quieto no mesmo lugar, no meu lugar, escondido, entre uma nuvem e outra, sem saber que toda essa dança é descompassada e louca, mas do que importa?
Aqueles que diziam falar por Deus falavam que eu iria encontrar o meu caminho. Mas eu não sei para aonde ir se não posso ver o sorriso no seu rosto... Porque motivo há de ser, se não há você? O motivo é o que restou, um pequeno que hoje olha o céu, ao meu lado, um pequeno que me lembra você, idêntico em seus sorrisos, em seus gestos... O próprio olhar... É único.
Esse é meu último suspiro deitado ao chão. Vou levantar, vou seguir, mesmo sem saber pr´onde ir, irei até o fim de um lugar que não sei onde termina, agora, meus passos serão guiados em sua direção, seja qual for, encontrarei o que resta de você, e viverei, e amarei essa centelha que sobrou de você aqui na minha vida.
x Por Rhedy | 3/17/2005 05:06:23 PM |
O Coração e o Ingrato
- Até que ponto irei eu insistir para ter o seu amor? Como posso resistir? Eu fiz de tudo para ganhar você para mim... Mas mesmo assim...
- Apesar de minhas rosas, por outros braços foi embora, todos os meus versos, tudo o que eu soletro, todo o meu coro, nada, nada, nada fez você acreditar que era eu...
- Amei-lhe com toda intensidade, entreguei-lhe o meu coração, é a mais pura verdade. Eu tive tudo sem saber, mas porque insistir, se quanto mais eu persisto, mais eu me firo.
- Acalma! Se os erros foram no intuito de encontrar a verdade, qual é a maldade? Depois de ter vivido tudo aquilo, poderia ter ido aos confins, mas não, eu só fui até ali! Relaxa! Sou um coração dispendioso, mas sou amável.
- Se me atiro sobre lábio qualquer não quer dizer que não há sentimento na verdade, é apenas passageiro, é sombra, sem parcela de responsabilidade. Deixa ser como será.
- Mas o que será, oh seu malévolo revoltoso, que se atirar ao revés sem ao menos consultar-me, se apaixona e derrama sobre mim bálsamo envenenado, entorpecendo-me em delírios e com beijos de saudade! Oh sossega-te e não me atormentes mais!
- Veja bem meu caro, sem novos amores, qual é o sabor de continuar nesse cintilar ingrato? Se não vê o que sinto, quando me atiro, não dispenso a vertigem de um novo amor... Ah! Seus abraços, seus sorrisos, seus beijos e seus traços, não se limite a pequenos sapatos, se realmente o que calças é quarenta e quatro. A pior tirania Humana é calçar sapatos apertados. Liberte-se desse mal, deixe-se viver, se atire, sinta, larga a mão desse esconder!
- Coração, boêmio inexaurível, deixe de ser fecundo em atrocidades, suas cicatrizes já me custam muitas verdades, explique a paz que não há, explique essa dor que não quer cessar! Canta-me porque da saudade que não acaba mais.
- Meu prezado, é tão simples, tão fácil, só você não vê, que aquela bela dama da qual você menospreza o meu parecer, conquistou você, com leves beijos, jeito extrovertido, levou-me aos maiores delírios, e nesse compasso, você seguiu comigo, e hoje, não há mais a solução, ou se entrega, ou se entrega meu caro turrão!
- Não acredito em tais palavras, não será você a me ensinar àquilo que deveria ser. É um desiludido, perdido em tardes de domingo, mal sabe o que faz, é um vagal por completo, tenta iludir-me nesse momento incerto em que não sei o que fazer. Pensa que sou o que? Acha mesmo que estou eu apaixonado? Acha que eu sou o que meu caro? Não me entreguei com tal facilidade, não serei eu o primeiro a cair sobre essa suas falsas-verdades, deixa-me em paz e leva contigo o que não me satisfaz.
- Veja, o sentimento existe, mesmo que você não acredite, resista o quanto puder, pois o tempo lhe dirá a verdade, qual é. Se você não quer se atirar nesse amor, a derrota será sua, a dor será minha, as lágrimas, e as conseqüências por você serão todas sentidas, e vê se me escuta da próxima vez, pois ela já foi e você ficou sem ao menos ganhar dela um Adeus. Se comporte, que um dia eu lhe encontro um outro amor por tabela.
x Por Rhedy | 3/6/2005 01:04:14 PM |
Sete e Meia.
O olhar cansado, fadigado, sinto-me exausto, o dia anterior havia sido penoso. Eu não queria mais me esforçar, não queria mais um dia de luta. Queria um dia de indolência.
Recostei-me a cadeira junto janela, e logo meus olhos alcançam seu corpo. Escondida no seu cotidiano tomando café. Mal me lembrava da última vez que eu a vi. Tão bela que parece um anjo. Sua pele macia, intocável, inalcançável, você é tão especial, sua pele tão clara me enche os olhos d´água.
Eu gostaria de ter o controle sobre minhas emoções, gostaria de ter a capacidade de ir além de um mero espectador da sua vida, gostaria de estar presente na sua perfeição. Mas eu sou um ser digno de escárnio, não sou nada, um indigente, um ser pífio, largado as traças...
Logo ela se levanta, retira a louça da mesa e leva para pia. Suas longas pernas brancas deslizam suavemente entre a cozinha, sua face clara, com bochechas rosadas, olhos claros é tão bela que parece ter sido desenhada pelo próprio Deus Vivo.
Seus cabelos escuros, presos lhe dão um tom social junto ao seu uniforme de aeromoça. É um apartamento simples, num bairro de periferia, sem o menor requinte, sem o menor pudor, sem paz, sem amor, apenas uma luta diária para sobrevivência. A Selva de pedra.
Ás vezes eu acho que eu sou um ser que não pertence a esse universo, que não tem destino, que apenas trabalha incansavelmente para pagar as contas que não faz, e passa o domingo sentado numa poltrona velha empoeirada lendo um maldito jornal.
O problema maior disso tudo é que a cada dia que se passa, o insistir nessa caminhada parece mais sem sentido, não há objetivo, pra onde vou? Porque fazer tudo isso? Porque seguir nessa luta gritante dia-após-dia no Colisseum do Capitalismo, estou cansado desse pão e circo.
Não quero mais observar a moça da janela nos seus cafés, não quero mais suspirar com aquilo que jamais irei ter...
Quantas vezes eu ainda irei olhar pela janela e sonhar com aquilo que não vou fazer? Quantas portas ainda irei eu fechar? Quantos carros na rua irão passar? Tudo aquilo que eu sempre busquei não irá me impedir de ser feliz mesmo que não o alcance. Farei algo. Mas que algo?
Atirarei-me pela janela? Cena Cômica pr´um bairro sitiado. Até o carro funerário chegar aqui, os urubus já arranjaram até algum tira gosto. Ir até a moça bonita lá fora? Eu com essa barba a fazer, essa cara de cachorro velho? Jamais...
É melhor eu voltar para o meu jornal a bancar o super-herói para mim mesmo. Deus me livre e guarde dessa mente deturpada que eu possuo.
x Por Rhedy | 3/4/2005 10:09:17 AM |
Platônico?
A casa está vazia, não faz calor, não faz frio, o clima se esconde, omite-se sem dar motivo. Encostado na janela, olhando você andar na rua, rua que é a sua passarela, onde você me ilude nos seus passos, onde eu fico a imaginar, onde eu fico a sonhar.
Eu nunca fiz questão de lhe ter pra mim, para ser sincero, eu nunca fiz questão de mim mesmo, sempre me limitei a lhe admirar, a sonhar. Meus dias sempre foram felizes, mesmo sem lhe ter.
Mas hoje isso mudou. Eu passo o dia feliz, mas não posso me limitar a lhe olhar, eu preciso lhe tocar, eu preciso sentir a sua pele, sentir seu corpo, beijar seus lábios, e não me limitar a não ser.
Uma leve brisa toca as folhas das árvores lá fora. Essa mesma brisa derruba algo das suas mãos, e isso me intriga. Está tão escuro, como você poderia achar o que havia perdido?
Neste momento entra no meu peito o desejo mais profundo de abrir a porta e ir até você, e usar de pretexto o que perdeu, e no meio de minha insanidade dizer tudo aquilo que sinto por você. Mas não... Refugo, não poderia abrir a porta e com uma desculpa tão chula convence-la de algo. Seria muito pretensionismo.
Mas como poderia eu saber se haveria outra oportunidade de vê-la? Outra oportunidade de aproximar-me e bradar com todas as forças aquilo que sinto? Não sei nem ao menos se amanhã estarei aqui? E Como poderei prever se ela estará? Não há como... É uma oportunidade, mas o conflito é muito forte.
Eu preciso achar em mim um motivo para lhe falar, mas como o encontrar? Não quero parecer um palhaço, não quero ser rejeitado, não quero ser esquecido... Desejo tanto o seu carinho, como poderia eu perder-la tão fácil...
Mas se eu olhar com carinho, eu também estou a perdendo com essa atitude de estátua, parece-me um adolescente que não consegue dizer que ama a mulher amada.
Crio vontade, vou a porta, e paro a maçaneta, não consigo move-la, minha mão está irrigada por suor, perco a razão, e deliro sem saber, quero-na para mim, mas não posso nem abrir uma porta!?
O que fazer? Talvez esse seja a minha única oportunidade, e eu esteja desperdiçando por um medo infantil... Eu a amo, mas será que meu amor é tão fraco que não possa eu abrir uma porta de madeira?
Abro, e ela olha para mim, sorri, eu lentamente caminho até ela... Sorrio, e digo:
- Algum problema?
- Não... Nenhum... Está tudo bem...
Ajoelho-me, pego o brinco que havia caído, (sim, era um brinco) e colo em suas mãos.
- Presumo que isso é seu.
- Sim é.
- Desculpe se a incomodei.
- Que isso... Jamais... Obrigada.
- Está com pressa?
- Não.
- Quer entrar e comer alguma coisa?
- Claro.
Valeu-me toda uma vida.
x Por Rhedy | 3/1/2005 10:41:04 PM |
Algo Qualquer Em Lugar Algum